Imagine um lugar onde o gás ferve a temperaturas tão extremas que poderia vaporizar qualquer matéria conhecida instantaneamente. Esse lugar existe, e está a 2,7 bilhões de anos-luz de distância. Cientistas revelaram recentemente uma visão espetacular do aglomerado galáctico Abell 2390, combinando imagens do telescópio Euclid com observações de raios-X do XMM-Newton. O resultado? Uma janela inédita para o gás incandescente que preenche o espaço entre galáxias, aquecido a temperaturas entre 10 e 100 milhões de graus Celsius.


O Que Torna Abell 2390 Tão Especial?
Abell 2390 não é apenas um aglomerado de galáxias comum. Trata-se de uma gigantesca conglomeração que reúne milhares de galáxias semelhantes à Via Láctea, todas presas pela gravidade em uma dança cósmica complexa. Além disso, a imagem capturada pelo Euclid revela mais de 50 mil galáxias, sendo que milhares delas fazem parte desse aglomerado colossal.
Contudo, o que vemos nas imagens em luz visível e infravermelha representa apenas uma pequena fração da história. Dessa forma, os cientistas precisaram recorrer aos raios-X do XMM-Newton para desvendar o que realmente domina esse sistema: o gás superaquecido que permeia os vastos espaços entre as galáxias.
O Brilho Azul que Revela o Invisível
Nas imagens combinadas, o gás captado pelo XMM-Newton aparece como um brilho azul difuso. Portanto, esse brilho não é uniforme — ele se intensifica em direção ao centro do aglomerado, indicando que ali o gás se torna ainda mais quente e concentrado. Assim, essa região central funciona como o coração pulsante de Abell 2390, onde a atividade é mais intensa.
Por outro lado, a luz visível capturada pelo Euclid mostra as galáxias individuais espalhadas por toda a região. Enquanto isso, o XMM-Newton revela a teia invisível de gás ionizado que conecta todas essas estruturas. Essa combinação permite que os astrônomos mapeiem não apenas onde as galáxias estão, mas também como elas interagem com o ambiente ao seu redor.

Como o Gás Atinge Temperaturas Tão Extremas?
A temperatura do gás em Abell 2390 varia entre 10 e 100 milhões de graus Celsius. Para colocar isso em perspectiva, o núcleo do Sol atinge cerca de 15 milhões de graus. Portanto, estamos falando de um ambiente que supera em muito as condições da nossa estrela.
Nessas temperaturas extremas, os elétrons são arrancados dos átomos, criando um plasma ionizado. Consequentemente, essa mistura incandescente de partículas carregadas produz raios-X, que são detectados pelo telescópio XMM-Newton. Assim, os cientistas podem estudar não apenas a distribuição do gás, mas também sua composição química e dinâmica.
A Importância de Estudar o Gás Intergaláctico
Por que dedicar tanto esforço para estudar esse gás? A resposta está na compreensão da evolução cósmica. De acordo com dados da Agência Espacial Europeia, ao mapear onde o gás quente está localizado e como ele se comporta, os astrônomos aprendem mais sobre como os aglomerados de galáxias crescem e evoluem ao longo de bilhões de anos.
Além disso, esse gás influencia diretamente a formação de novas estrelas nas galáxias. Quando o gás esfria e se condensa, ele pode dar origem a novas gerações de estrelas. Por outro lado, explosões de supernovas e buracos negros supermaciços podem aquecer o gás novamente, interrompendo esse processo. Dessa forma, o estudo do gás intergaláctico é fundamental para entender a história da formação estelar no universo.
A Matéria Escura: A Rainha Invisível de Abell 2390
Embora as imagens do Euclid sejam deslumbrantes, elas não mostram o componente dominante do aglomerado: a matéria escura. Segundo a Agência Espacial Europeia, cerca de 80% da massa total de Abell 2390 é composta por essa substância misteriosa que não emite luz nem interage com a radiação eletromagnética.
O gás superaquecido, apesar de impressionante, representa apenas cerca de 15% da massa do aglomerado. Portanto, as galáxias que vemos tão claramente nas imagens contribuem com meros poucos por cento da massa total. Assim, podemos imaginar o aglomerado como um bolo onde a matéria escura é a massa, o gás quente é o recheio e as galáxias são as passas espalhadas por toda parte.
Lentes Gravitacionais: Quando a Luz se Curva
Um dos aspectos mais fascinantes da imagem do Euclid são os arcos gigantescos e curvos que aparecem espalhados pela cena. Esses arcos não são objetos reais, mas sim o resultado de um fenômeno conhecido como lente gravitacional. Contudo, o que isso significa?
Quando a luz de galáxias distantes viaja até nós, ela pode passar perto de objetos massivos como Abell 2390. A gravidade combinada da matéria escura, do gás quente e das galáxias curva o espaço-tempo ao redor do aglomerado. Consequentemente, a luz dessas galáxias distantes é desviada e distorcida, criando essas formas alongadas e arqueadas.
Dessa forma, os cientistas usam as lentes gravitacionais como uma ferramenta poderosa para mapear indiretamente a distribuição da matéria escura. Ao analisar como a luz é curvada, eles conseguem inferir onde a massa invisível está concentrada.

XMM-Newton e Euclid: Uma Parceria Cósmica
A combinação de observações do XMM-Newton e do Euclid representa uma abordagem multifacetada para estudar o cosmos. Cada telescópio oferece uma perspectiva única que, quando combinada, revela um quadro mais completo do universo.
O XMM-Newton, lançado em 1999, é um veterano na observação de raios-X. Suas observações de Abell 2390 foram realizadas em 2001 e permanecem valiosas até hoje. Enquanto isso, o Euclid, uma missão mais recente, foi projetado especificamente para investigar a energia escura e a matéria escura através de observações em luz visível e infravermelha.

O Futuro das Observações Combinadas
Portanto, o que podemos esperar do futuro? A colaboração entre diferentes telescópios e diferentes comprimentos de onda continuará sendo essencial para desvendar os mistérios do cosmos. Além disso, novas missões e instrumentos permitirão observações ainda mais detalhadas de aglomerados como Abell 2390.
Por exemplo, o telescópio James Webb pode contribuir com observações infravermelhas ainda mais profundas, revelando galáxias ainda mais distantes que são distorcidas pelas lentes gravitacionais de Abell 2390. Assim, cada nova camada de dados adiciona mais detalhes ao nosso entendimento desses gigantes cósmicos.

Por Que Abell 2390 Importa Para Nós?
Você pode se perguntar: por que devemos nos importar com um aglomerado de galáxias a 2,7 bilhões de anos-luz de distância? A resposta está na natureza fundamental da ciência. Ao estudar objetos distantes e extremos, aprendemos sobre as leis físicas que governam todo o universo, incluindo nosso próprio canto cósmico.
Além disso, os aglomerados de galáxias como Abell 2390 servem como laboratórios naturais para testar nossas teorias sobre gravidade, matéria escura e energia escura. Dessa forma, cada descoberta nos aproxima de responder questões profundas sobre a origem, estrutura e destino do universo.
O Espaço Entre as Galáxias Está Vivo
Abell 2390 nos lembra que o espaço não é um vazio vazio. Pelo contrário, ele fervilha com gás superaquecido, matéria escura invisível e campos gravitacionais intensos que moldam a luz de galáxias distantes. Portanto, cada imagem que recebemos dos nossos telescópios espaciais é um convite para repensar o que significa “vazio” no cosmos.
A próxima vez que você olhar para o céu noturno, lembre-se de que entre as estrelas e galáxias existe um universo escondido de fenômenos extraordinários. Essas descobertas nos conectam com o cosmos de maneiras que transcendem as distâncias astronômicas.
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FAQ: Perguntas Frequentes Sobre Abell 2390
O que é Abell 2390?
Abell 2390 é um enorme aglomerado de galáxias localizado a aproximadamente 2,7 bilhões de anos-luz da Terra. Ele contém milhares de galáxias ligadas entre si pela gravidade, além de grandes quantidades de gás quente e matéria escura.
Qual a temperatura do gás em Abell 2390?
O gás superaquecido presente entre as galáxias atinge temperaturas entre 10 e 100 milhões de graus Celsius, emitindo intensos raios-X detectados pelo telescópio espacial XMM-Newton.
O que é matéria escura e quanto dela existe em Abell 2390?
A matéria escura é uma forma invisível de matéria que não emite nem reflete luz, mas exerce influência gravitacional. Em Abell 2390, ela representa cerca de 80% da massa total do aglomerado.
O que são as linhas curvas nas imagens de Abell 2390?
Essas linhas curvas são arcos de lente gravitacional, formados quando a enorme gravidade do aglomerado curva e amplia a luz de galáxias ainda mais distantes localizadas atrás dele.
Como os telescópios XMM-Newton e Euclid trabalham juntos?
O XMM-Newton observa o aglomerado em raios-X, revelando o gás quente, enquanto o telescópio Euclid capta luz visível e infravermelha das galáxias. Juntos, eles fornecem uma visão completa da estrutura do aglomerado.
Por que estudar o gás entre as galáxias?
A análise do gás interestelar ajuda os cientistas a entender como os aglomerados evoluem ao longo do tempo e como as galáxias interagem, oferecendo pistas sobre a formação estelar e a evolução do universo.
Posso ver Abell 2390 com um telescópio amador?
Não. Abell 2390 está extremamente distante e só pode ser observado e estudado com telescópios espaciais e observatórios profissionais de grande porte.
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Fonte: Artigo ESA (European Space Agency) —
