Pular para o conteúdo
Home » Blog » Fotógrafo Captura Dois Fenômenos Raros na Mesma Foto

Fotógrafo Captura Dois Fenômenos Raros na Mesma Foto

Imagine você apontando sua câmera para o céu em uma noite qualquer e capturando não um, mas dois dos fenômenos atmosféricos mais raros e misteriosos do planeta. Parece coisa de filme, né? Mas foi exatamente isso que aconteceu com o astrofotógrafo italiano Valter Binotto há poucos dias. Ele registrou um ELVE e quatro sprites vermelhos simultaneamente — algo tão incomum que mesmo cientistas que estudam esses eventos ficam de queixo caído.

Esses fenômenos luminosos acontecem em milissegundos, na alta atmosfera, e são tão esquivos que a maioria das pessoas nunca verá um na vida. Mas Binotto, com sua câmera modificada e olhar atento, conseguiu o impossível: eternizar ambos na mesma fotografia sobre Possagno, no norte da Itália.

Sprites vermelhos iluminam a alta atmosfera durante uma tempestade, registrados por uma câmera apontada para o céu noturno em um campo aberto.
Sprites vermelhos surgem na alta atmosfera acima de uma tempestade, fenômeno raro que ocorre em milissegundos e só pode ser registrado com equipamentos especializados.
Créditos: Valter Binotto

O Que São Sprites Vermelhos e Por Que São Tão Difíceis de Ver?

Os sprites vermelhos são clarões elétricos que disparam para cima durante tempestades intensas, podendo alcançar até 80 quilômetros de altitude. Diferente dos raios comuns que caem em direção ao solo, esses “duendes” sobem pela atmosfera como fogos de artifício invertidos. Além disso, eles duram apenas alguns milissegundos, o que torna sua captura um verdadeiro desafio técnico.

A forma desses fenômenos lembra águas-vivas ou medusas brilhantes, com tentáculos vermelhos se estendendo pelo céu. Essa cor característica vem da excitação do nitrogênio atmosférico, o mesmo elemento que pode tingir auroras boreais de vermelho, embora por processos físicos diferentes.

Descobertos oficialmente apenas em 1989, quando foram fotografados pela primeira vez, os sprites continuam sendo pouco compreendidos pela ciência. Eles fazem parte dos Eventos Luminosos Transientes (TLEs), fenômenos que ocorrem rapidamente demais para observação a olho nu e que exigem equipamentos especializados para registro.

ELVE: O Disco Gigante Que Marca Pulsos Eletromagnéticos

Se os sprites já são raros, os ELVEs são ainda mais. A sigla significa “Emissão de Luz e Perturbações de Muito Baixa Frequência devido a Fontes de Pulsos Eletromagnéticos” — um nome que só cientistas poderiam inventar. Na prática, trata-se de um enorme disco avermelhado que se expande horizontalmente por centenas de quilômetros.

Esse fenômeno surge quando um raio extremamente potente dispara um pulso eletromagnético que viaja até a ionosfera terrestre. Assim, o impacto cria uma perturbação luminosa que se espalha como ondas em um lago, formando aquele anel vermelho característico. Binotto compara os ELVEs à nave-mãe do filme Independence Day — uma analogia perfeita para algo tão massivo e impressionante.

Descobertos apenas em 1990 durante uma missão do ônibus espacial Discovery, os ELVEs são achatados e se expandem tão rapidamente que duram menos tempo que um piscar de olhos. Por outro lado, Binotto conseguiu registrar apenas três desses fenômenos em toda sua década de dedicação à astrofotografia.

A Foto Que Desafia as Probabilidades

Na imagem capturada sobre o Mar Adriático, aparecem um ELVE formando seu disco característico e quatro sprites vermelhos simultâneos — uma combinação que Binotto descreve como “extremamente incomum”. Portanto, o registro não é apenas bonito; ele é cientificamente valioso para pesquisadores que estudam a alta atmosfera.

O fotógrafo italiano utiliza uma câmera modificada para astrofotografia, mais sensível ao infravermelho, o que aumenta suas chances de capturar eventos tão rápidos. Mesmo assim, ele acumulou centenas de registros de sprites ao longo dos anos, mas apenas três ELVEs — contando com este mais recente.

Essa raridade acontece porque ambos os fenômenos exigem condições muito específicas: tempestades intensas, raios extremamente potentes e, claro, alguém olhando para o lugar certo no momento exato com o equipamento adequado. Enquanto isso, a maioria das pessoas nem sequer sabe que esses eventos existem.

Como a NASA Estuda Esses Mistérios Atmosféricos

A agência espacial norte-americana não deixou essa oportunidade passar. Através do projeto “Spritacular”, a NASA convoca cientistas cidadãos a contribuírem com imagens de TLEs para ampliar o banco de dados sobre esses fenômenos. Dessa forma, pesquisadores ganham acesso a registros que ajudam a desvendar os mecanismos por trás desses eventos luminosos.

Além disso, astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) têm documentado sprites vermelhos de uma perspectiva privilegiada. Matthew Dominick capturou um desses fenômenos em junho de 2024, seguindo os passos de Andreas Mogensen, da Agência Espacial Europeia. Mais recentemente, Nichole Ayers registrou uma das imagens mais espetaculares de um sprite sobre o México e Estados Unidos.

Do espaço, esses fenômenos ganham outra dimensão visual. Enquanto fotografias terrestres mostram os sprites de baixo para cima, as imagens orbitais revelam sua verdadeira escala e estrutura. Contudo, ambas as perspectivas são essenciais para compreender completamente esses mistérios atmosféricos.

Sprites vermelhos registrados a partir da Estação Espacial Internacional, mostrando descargas elétricas vermelhas na alta atmosfera terrestre acima de uma região de tempestades noturnas.
Sprites vermelhos registrados a partir da Estação Espacial Internacional, mostrando descargas elétricas vermelhas na alta atmosfera terrestre acima de uma região de tempestades noturnas. Créditos:
NASA / Matthew Dominick / ISS

Por Que Esses Fenômenos Importam Para a Ciência?

Você pode estar se perguntando: por que cientistas se importam tanto com flashes vermelhos no céu? A resposta está na conexão entre esses eventos e processos fundamentais da nossa atmosfera. Os sprites e ELVEs revelam informações sobre como a eletricidade atmosférica interage com diferentes camadas do ar que respiramos.

Entender esses fenômenos ajuda pesquisadores a mapear melhor a ionosfera terrestre, uma região crucial para comunicações por rádio e GPS. Além disso, estudar TLEs pode revelar detalhes sobre tempestades severas e mudanças climáticas, já que eles são indicadores de atividade elétrica atmosférica extrema.

Portanto, cada foto como a de Binotto não é apenas um registro bonito — é uma peça de um quebra-cabeça científico que ainda estamos montando. Cada imagem capturada adiciona dados valiosos que podem levar a descobertas importantes sobre nosso planeta.

O Futuro da Caça aos Fenômenos Atmosféricos

Com o avanço da tecnologia fotográfica e a popularização de câmeras sensíveis, mais pessoas podem contribuir para o registro desses eventos. Todavia, a experiência e dedicação de fotógrafos como Binotto permanecem insubstituíveis. São anos de estudo, paciência e incontáveis noites observando o céu.

A próxima geração de equipamentos, incluindo satélites dedicados e redes de câmeras automatizadas, promete revolucionar o estudo dos TLEs. Enquanto isso, projetos de ciência cidadã como o Spritacular democratizam a pesquisa, permitindo que qualquer pessoa com uma câmera decente possa fazer história.

Imagine se mais pessoas começassem a olhar para cima com atenção. Quantos fenômenos incríveis estão acontecendo neste exato momento sobre nossas cabeças, sem que ninguém perceba? A natureza continua apresentando espetáculos notáveis, esperando apenas que alguém esteja pronto para capturá-los.

Levante os Olhos e Descubra os Segredos do Céu

O registro de Binotto nos lembra que o universo não precisa estar a milhões de anos-luz para ser fascinante. Logo acima de nossas cabeças, entre as nuvens de tempestade e o espaço sideral, eventos espetaculares acontecem a cada instante. Basta estar no lugar certo, com o equipamento certo e, principalmente, com a curiosidade certa.

Que novos flagrantes continuem revelando os mistérios desses fenômenos luminosos e inspirando mais pessoas a explorarem as maravilhas da atmosfera terrestre. O céu noturno guarda segredos que estamos apenas começando a compreender.

Quer descobrir mais sobre os mistérios do universo e fenômenos incríveis que acontecem ao nosso redor? Acesse www.rolenoespaco.com.br e siga @role_no_espaco no Instagram para não perder nenhuma novidade astronômica!

Perguntas Frequentes

O que são sprites vermelhos? Sprites vermelhos são descargas elétricas que sobem da atmosfera durante tempestades intensas, alcançando até 80 km de altitude e durando apenas milissegundos.
Por que os sprites e ELVEs são vermelhos? A cor vermelha vem da excitação do nitrogênio atmosférico causada pelos pulsos eletromagnéticos e descargas elétricas na alta atmosfera.
Qual a diferença entre sprites e ELVEs? Sprites são descargas verticais em forma de água-viva, enquanto ELVEs são discos horizontais gigantes que se expandem por centenas de quilômetros.
É possível ver esses fenômenos a olho nu? Sim, mas é extremamente difícil devido à sua curta duração (milissegundos) e ocorrência na alta atmosfera. Câmeras especializadas facilitam o registro.
Quando os sprites foram descobertos? Os sprites foram fotografados pela primeira vez em 1989, enquanto os ELVEs foram descobertos em 1990 durante missão do ônibus espacial Discovery.
Qualquer pessoa pode fotografar sprites vermelhos? Com equipamento adequado (câmeras sensíveis e exposição apropriada) e muita paciência, é possível. Projetos como o Spritacular da NASA incentivam tentativas de registro.
Onde esses fenômenos acontecem com mais frequência? Sprites e ELVEs ocorrem sobre áreas com tempestades intensas, especialmente em regiões com alta atividade de raios como zonas tropicais e subtropicais.

Indicação de Leitura

Gostou do nosso artigo? Então continue explorando o fascinante universo da astrofotografia. Ao longo da sua jornada pelo céu, descubra como fotógrafos ao redor do mundo registram fenômenos raros, as tecnologias por trás das imagens astronômicas e como a observação do cosmos transforma nossa forma de enxergar o Universo. Muitas dessas descobertas, sem dúvida, começam com uma câmera apontada para o céu.

Sugestões de Links Internos (Inbound)

Sugestões de Links Externos (Outbound):

Todos os créditos de imagem Reservados à Valter Binotto
Imagens, dados e informações utilizadas nesta matéria são de propriedade de valter Binotto e foram disponibilizadas para fins educacionais e informativos. Acesse https://valterbinotto.it/

Marcações:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *