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Buracos Negros Supermassivos São Comedores Seletivos

Imagine ter um banquete inteiro à sua frente e simplesmente ignorá-lo. Parece estranho, não é? Pois é exatamente isso que alguns buracos negros supermassivos estão fazendo no universo. Uma nova descoberta do observatório ALMA revela que esses gigantes cósmicos podem ser surpreendentemente seletivos na hora de devorar matéria. Essa revelação está mudando tudo o que os astrônomos pensavam sobre como esses monstros espaciais crescem e evoluem.

imagem de alta resolução do ALMA mostrando gás molecular em galáxias em fusão com dois núcleos galácticos ativos, mapeado pela emissão de monóxido de carbono
Imagem de alta resolução do ALMA revela grandes reservatórios concentrados de gás molecular frio em quatro galáxias em fusão que abrigam núcleos galácticos ativos duplos (AGN). O gás é rastreado pela emissão da molécula de monóxido de carbono (CO), permitindo aos astrônomos mapear o combustível disponível para o crescimento dos buracos negros supermassivos nesses sistemas.

O Mistério dos Buracos Negros que Recusam Comida

Durante décadas, os cientistas acreditaram que buracos negros supermassivos eram como aspiradores cósmicos insaciáveis. Basicamente, tudo que chegasse perto seria engolido sem critério algum. Contudo, as observações recentes do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) mostram uma realidade bem diferente.

Makoto A. Johnstone, doutorando da Universidade da Virgínia, liderou uma equipe internacional que estudou sete fusões de galáxias próximas. Nessas fusões, os buracos negros estão separados por apenas alguns milhares de anos-luz. Assim, os pesquisadores conseguiram observar de perto o comportamento alimentar desses objetos fascinantes.

O resultado foi surpreendente. Mesmo com enormes quantidades de gás molecular frio disponível ao redor, muitos buracos negros simplesmente não estão se alimentando ativamente. Dessa forma, eles estão “beliscando” a comida em vez de devorar tudo rapidamente.

Como Funcionam as Fusões de Galáxias

Quando duas galáxias massivas e ricas em gás colidem, algo espetacular acontece. A gravidade arrasta quantidades imensas de gás molecular frio em direção aos centros de ambos os sistemas. Portanto, esse deveria ser o momento perfeito para os buracos negros supermassivos se alimentarem vorazmente.

Essas fases de fusão são breves e extremamente turbulentas. Além disso, elas podem acender um ou ambos os buracos negros como núcleos galácticos ativos (AGN). Esses AGN estão entre os objetos mais energéticos do universo conhecido.

Por outro lado, nem todas as galáxias em fusão apresentam dois buracos negros ativos simultaneamente. Algumas mostram apenas um buraco negro ativo, enquanto outras parecem não ter nenhum apetite aparente. Isso intrigou os astrônomos por anos.

A Descoberta que Mudou Tudo

As observações do ALMA revelaram algo fascinante. Ao redor de muitos buracos negros supermassivos, especialmente os mais massivos, existe uma pilha densa e caótica de nuvens de gás. Isso significa que as fusões são altamente eficientes em entregar combustível diretamente até suas portas.

Entretanto, aqui está o paradoxo: o brilho atual desses buracos negros não aumenta proporcionalmente à quantidade de gás disponível. Mesmo com muita comida por perto, a maioria está apenas beliscando em vez de se empanturrar.

Segundo Makoto, essa ineficiência levanta questões fundamentais. “A ineficiência do crescimento observado dos buracos negros supermassivos, mesmo quando reservatórios densos de gás molecular estão presentes, levanta questões sobre as condições físicas necessárias para desencadear esses episódios de crescimento”, explicou ele.

Representação artística de um buraco negro no centro da galáxia NGC 3783. Um disco de acreção dourado e turbulento gira ao redor de uma região escura central, enquanto um ponto brilhante libera um arco de radiação e jatos de vento extremamente rápidos que se erguem para o topo da imagem.
Representação artística do buraco negro supermassivo em NGC 3783, onde astrônomos detectaram ventos ultrarrápidos atingindo 60 mil km por segundo após o surgimento de um breve clarão de raios-X. A ilustração mostra o disco de acreção aquecido, o hotspot responsável pelo flare e os jatos de material sendo lançados ao espaço. Créditos: NASA/ESA.

Por Que Buracos Negros São Tão Exigentes?

A resposta pode estar na natureza episódica e altamente variável da atividade dos AGN. Assim como nós não comemos o tempo todo, os buracos negros supermassivos parecem ter períodos de alimentação intercalados com pausas.

A atividade acontece em ambientes extremamente empoeirados. Portanto, detectar dois buracos negros ativos simultaneamente em fusões tem sido extremamente difícil. Muitas vezes, quando observamos um buraco negro aparentemente “sem fome”, ele pode simplesmente estar entre refeições.

Ezequiel Treister, investigador principal do projeto, destacou a importância dessas observações. De acordo com ele, essas capacidades únicas do ALMA estão finalmente permitindo entender como os buracos negros são alimentados durante fusões galácticas. Esse evento é considerado crítico para estabelecer a conexão observada entre o crescimento de buracos negros e a evolução galáctica.

Buracos Negros Fora de Posição

Outra descoberta fascinante do ALMA é que muitos buracos negros ativos estão ligeiramente deslocados de seus principais discos de gás rotativo. Isso sugere interações gravitacionais violentas que podem ter deslocado os buracos negros supermassivos durante as fusões galácticas.

Essas interações criam um ambiente caótico. Dessa forma, o gás não flui suavemente para o buraco negro. Em vez disso, ele é perturbado e redistribuído de maneiras complexas. Consequentemente, isso afeta dramaticamente quando e como o buraco negro pode se alimentar.

Timing, Turbulência e Poeira: A Receita Perfeita

Os resultados mostram que nas colisões galácticas, ter energia suficiente para alimentar os buracos negros é apenas metade da história. O timing é fundamental. A turbulência no gás também desempenha um papel crucial. Por fim, a presença de poeira determina quando, e se, ambos os buracos negros vão brilhar intensamente.

Portanto, não basta apenas ter gás disponível. As condições precisam estar exatamente certas para que o buraco negro comece a se alimentar ativamente. É como ter todos os ingredientes de uma receita, mas precisar da temperatura e do tempo de preparo exatos.

O Que Isso Significa Para a Evolução do Universo

Entender como os buracos negros supermassivos crescem é fundamental para compreender a evolução do universo. Esses objetos influenciam diretamente o desenvolvimento das galáxias que os hospedam. Além disso, eles regulam a formação de estrelas e afetam a distribuição de matéria em escalas cósmicas.

Se o crescimento dos buracos negros durante fusões é altamente ineficiente, isso significa que esses eventos podem não contribuir tanto quanto se pensava. Por outro lado, isso também sugere que outros mecanismos de crescimento podem ser mais importantes do que imaginávamos anteriormente.

Tecnologia Revolucionária do ALMA

O ALMA é um dos observatórios mais avançados do mundo. Localizado no deserto do Atacama, no Chile, ele opera em comprimentos de onda miliméricos e submiliméricos. Isso permite observar o gás molecular frio, que é invisível em comprimentos de onda ópticos.

Essa capacidade foi essencial para esta descoberta. Somente agora, com a tecnologia revolucionária do ALMA, esse tipo de estudo se tornou viável. Assim, os astrônomos conseguem literalmente ver o “cardápio” disponível para os buracos negros e observar quais escolhas eles fazem.

O observatório Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) visto à noite, com suas antenas iluminadas sob as Nuvens de Magalhães no céu do deserto do Chile.
O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) sob as Nuvens de Magalhães, no deserto do Atacama, Chile — uma das janelas mais poderosas da humanidade para o universo.
Crédito: ESO/ALMA

Futuras Investigações

Esta pesquisa abre portas para inúmeras questões futuras. Os cientistas agora querem entender exatamente quais condições físicas disparam os episódios de alimentação. Além disso, querem investigar por quanto tempo duram essas “refeições” e com que frequência elas ocorrem.

Estudos futuros também podem revelar se existe algum padrão no comportamento alimentar dos buracos negros supermassivos. Será que alguns tipos de fusões galácticas são mais eficientes que outras? Essas perguntas estão apenas começando a ser exploradas.

Conclusão

Os buracos negros supermassivos são muito mais complexos e interessantes do que imaginávamos. Longe de serem simplesmente monstros devoradores insaciáveis, eles demonstram um comportamento alimentar surpreendentemente seletivo. Essa descoberta nos lembra que o universo sempre tem mais mistérios para revelar.

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FAQ – Perguntas Frequentes Sobre Alma e Buracos negros supermassivo

O que é um buraco negro supermassivo?

É um buraco negro com massa equivalente a milhões ou bilhões de sóis, localizado no centro das galáxias.

Como os buracos negros se alimentam?

Eles capturam matéria através da gravidade, formando um disco de acreção que espirala para dentro antes de ser consumido.

O que é o ALMA?

É um observatório astronômico localizado no Chile que observa o universo em comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos.

Por que alguns buracos negros não se alimentam mesmo com gás disponível?

Isso pode ocorrer devido ao timing, turbulência e condições ambientais que não favorecem a alimentação naquele momento específico.

O que são núcleos galácticos ativos (AGN)?

São regiões centrais de galáxias onde o buraco negro supermassivo está se alimentando ativamente, emitindo enormes quantidades de energia.

Quanto tempo dura uma fusão galáctica?

Fusões galácticas podem levar centenas de milhões a bilhões de anos para se completarem totalmente.

Como essa descoberta afeta nossa compreensão do universo?

Ela mostra que o crescimento de buracos negros é mais complexo e ineficiente do que se pensava, afetando modelos de evolução galáctica.

Indicação de Leitura

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Todos os créditos de imagem Reservados à ALMA.
Imagens, dados e informações utilizadas nesta matéria são de propriedade da ALMA e foram disponibilizadas para fins educacionais e informativos.

Fonte: Artigo “Super Massive Black Holes May Be Picky Eaters” publicado no site almaobservatory.org

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