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Jatos no Cometa 3I/ATLAS Revelam Segredos Interestelares

Imagine um viajante cósmico cruzando o vazio entre as estrelas, carregando segredos de sistemas solares distantes. Assim, o cometa interestelar C/2025 N1-3I, também conhecido como 3I/ATLAS, passou pelo nosso Sistema Solar em 2025, oferecendo aos cientistas uma oportunidade rara de estudar um objeto vindo de além do nosso sistema planetário. Recentemente, observações do Telescópio Espacial Hubble revelaram detalhes fascinantes sobre jatos misteriosos no cometa 3I/ATLAS, estruturas que nos ajudam a entender como esses corpos celestes liberam material no espaço.

Além disso, essa descoberta marca apenas a terceira vez na história que observamos um cometa interestelar visitando nosso sistema. Portanto, cada detalhe capturado representa uma janela única para compreender a formação de sistemas planetários distantes e a composição química do universo primitivo.

No centro da imagem está um cometa que se apresenta como um casulo azulado em formato de gota, formado por poeira que se desprende do núcleo sólido e gelado do cometa, visto contra um fundo preto. O cometa parece estar se movendo em direção ao canto inferior esquerdo da imagem. Cerca de uma dúzia de rastros diagonais curtos e azul-claro estão espalhados pela imagem — são estrelas de fundo que pareceram se mover durante a exposição, já que o telescópio estava acompanhando o movimento do cometa.
O Telescópio Espacial Hubble tambem registrou, com detalhes impressionantes, o cometa interestelar 3I/ATLAS Créditos NASA

O Que Torna o Cometa 3I/ATLAS Especial

O cometa 3I/ATLAS não é um visitante comum do nosso Sistema Solar. Dessa forma, ele se destaca por ser apenas o terceiro objeto interestelar confirmado a passar por nossa vizinhança cósmica, depois de ‘Oumuamua em 2017 e do cometa 2I/Borisov em 2019. Enquanto isso, sua trajetória hiperbólica indica claramente que ele veio de outro sistema estelar e nunca mais retornará ao Sol.

Após passar pelo periélio em 29 de outubro de 2025, o cometa atingiu sua distância mínima da Terra em 19 de dezembro do mesmo ano. Contudo, o momento mais revelador veio com as observações realizadas pelo Telescópio Espacial Hubble em 30 de novembro, alcançando uma resolução impressionante de 56 quilômetros por pixel. Por outro lado, essa proximidade permitiu aos cientistas estudar detalhes nunca antes vistos em um objeto interestelar.

A análise das imagens capturadas pela câmera WFC3 do Hubble, usando o filtro de banda larga F350LP, revelou características surpreendentes. Assim, a configuração geométrica única entre o Sol, a Terra e o cometa criou condições ideais para observações detalhadas da estrutura interna de sua coma, a nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo.

Descoberta dos Jatos no Cometa 3I/ATLAS

A aplicação de técnicas avançadas de processamento de imagem trouxe à luz uma descoberta extraordinária. Por meio de filtros especializados, os astrônomos identificaram seis jatos discretos de material emanando do núcleo do cometa. Portanto, esses jatos representam áreas ativas na superfície do cometa onde o gelo sublima, liberando gases e poeira para o espaço.

Os jatos no cometa 3I/ATLAS mostram características fascinantes. Inicialmente, eles aparecem como estruturas retas propagando-se para fora do núcleo. Contudo, após alguns milhares de quilômetros, esses jatos perdem sua colimação devido à difusão de poeira na coma interna. Dessa forma, o material se espalha gradualmente, criando a característica aparência nebulosa dos cometas.

Segundo a análise realizada pela equipe italiana da Estação Astronômica de Sozzago e do Observatório Astronômico de Pádua, os jatos formam três pares simétricos. Assim, cada par representa os lados do cone de emissão de uma área ativa localizada no núcleo rotativo. As medições a 2.000 e 3.000 quilômetros do centro óptico permitiram identificar esses pares em ângulos de posição específicos: 62/150 graus, 36/182 graus e 25/205 graus.

Imagem do cometa interestelar 3I/ATLAS observada pelo Telescópio Espacial Hubble, mostrando jatos na coma interna após processamento com filtro Larson-Sekanina, com resolução de 56 km por pixel.
Jatos na coma interna do cometa interestelar 3I/ATLAS revelados por observações do Telescópio Espacial Hubble em 30 de novembro de 2025. A imagem empilhada foi processada com o filtro Larson-Sekanina (α = 15°), permitindo identificar estruturas ativas próximas ao núcleo do cometa.

Créditos: ATel #17555 — Federico Manzini, Virginio Oldani, Paolo Ochner, Luigi R. Bedin, Andrea Reguitti, Alessandra Mura, Andrea Farina (NASA/ESA Hubble Space Telescope)

A Geometria Revela o Eixo de Rotação

Além disso, uma das descobertas mais importantes foi a determinação da direção do eixo de rotação do cometa. Por outro lado, ao calcular as bissetrizes dos pares de jatos simétricos, os cientistas conseguiram estabelecer que o eixo projetado se alinha ao longo da linha com ângulo de posição de 110-290 graus, com incerteza estimada de aproximadamente 2,5 graus em cada direção.

Essa medição confirma as estimativas iniciais feitas anteriormente e revela algo surpreendente. Enquanto isso, comparando com observações do Hubble realizadas em julho de 2025, os pesquisadores descobriram que a atividade cometária recente origina-se de um hemisfério do núcleo oposto àquele que estava ativo durante as observações anteriores. Portanto, isso sugere mudanças sazonais na atividade do cometa conforme diferentes áreas de sua superfície recebem luz solar.

A rotação do núcleo cometário desempenha papel fundamental nesse processo. Assim, conforme o cometa gira, diferentes regiões ricas em materiais voláteis são expostas à radiação solar, criando os jatos observados. Por outro lado, áreas inativas permanecem cobertas por uma camada de poeira que isola o gelo subjacente.

Cortes fotométricos realizados a 2.000 km e 3.000 km do centro óptico do cometa interestelar 3I/ATLAS, com base em imagens do Telescópio Espacial Hubble de 30 de novembro de 2025. Os dados foram realçados com filtros 1/r e Larson-Sekanina (α = 15°), enquanto as setas indicam os picos de luminosidade associados aos jatos cometários.
Cortes fotométricos realizados a 2.000 km e 3.000 km do centro óptico do cometa interestelar 3I/ATLAS, com base em imagens do Telescópio Espacial Hubble de 30 de novembro de 2025. Os dados foram realçados com filtros 1/r e Larson-Sekanina (α = 15°), enquanto as setas indicam os picos de luminosidade associados aos jatos cometários.

Créditos: ATel #17555 — Federico Manzini, Virginio Oldani, Paolo Ochner, Luigi R. Bedin, Andrea Reguitti, Alessandra Mura, Andrea Farina (NASA/ESA Hubble Space Telescope)

Anti-Cauda: Um Fenômeno Óptico Fascinante

As observações também confirmaram a presença de uma anti-cauda no cometa 3I/ATLAS, um fenômeno óptico intrigante. Dessa forma, enquanto a cauda principal aponta na direção antisolar (oposta ao Sol), a anti-cauda aparece projetada na direção do Sol no céu, embora o material ainda esteja seguindo sua órbita normal essa aparência é ilusória, resultado da geometria específica entre o Sol, a Terra e o cometa.

Durante todo o ano de 2025, o ângulo entre o plano orbital do cometa e o da Terra permaneceu entre -1 e +2 graus. Portanto, essa configuração peculiar, combinada com o momento da observação, criou as condições perfeitas para visualizar a anti-cauda com ângulo de posição de 113 graus e a cauda principal em 295 graus. Assim, ambas ficaram quase perfeitamente alinhadas com o vetor direcional do Sol.

Segundo dados confirmados por observações independentes, esse alinhamento excepcional permitiu aos astrônomos estudar tanto a cauda quanto a anti-cauda simultaneamente. Por outro lado, tais configurações são relativamente raras e oferecem informações valiosas sobre a distribuição de poeira ao redor do cometa.

Imagem do cometa interestelar 3I/ATLAS observada pelo Telescópio Espacial Hubble, mostrando jatos na coma interna após processamento com filtro Larson-Sekanina, com resolução de 56 km por pixel.
Jatos na coma interna do cometa interestelar 3I/ATLAS revelados por observações do Telescópio Espacial Hubble em 30 de novembro de 2025. A imagem empilhada foi processada com o filtro Larson-Sekanina (α = 15°), permitindo identificar estruturas ativas próximas ao núcleo do cometa.

Créditos: ATel #17555 — Federico Manzini, Virginio Oldani, Paolo Ochner, Luigi R. Bedin, Andrea Reguitti, Alessandra Mura, Andrea Farina (NASA/ESA Hubble Space Telescope)

O Que os Jatos Revelam Sobre Cometas Interestelares

Os jatos no cometa 3I/ATLAS fornecem pistas cruciais sobre sua composição e origem. Dessa forma, a análise desses jatos permite aos cientistas inferir quais substâncias voláteis estão presentes no núcleo. Além disso, comparar essas características com cometas do nosso Sistema Solar ajuda a entender se objetos interestelares são fundamentalmente diferentes ou semelhantes aos nossos vizinhos cósmicos.

De acordo com as observações, a estrutura e o comportamento dos jatos sugerem que o cometa possui múltiplas áreas ativas distribuídas pela superfície. Portanto, isso indica um núcleo heterogêneo, com variações na composição ou nas propriedades térmicas entre diferentes regiões. Contudo, mais observações serão necessárias para confirmar essas hipóteses.

Enquanto isso, a capacidade do Hubble de capturar detalhes tão finos demonstra a importância dos telescópios espaciais no estudo de objetos distantes. Assim, sem a interferência da atmosfera terrestre, os astrônomos conseguem alcançar a resolução necessária para detectar estruturas sutis como esses jatos.

Tecnologia Por Trás da Descoberta

As observações que revelaram os jatos foram possíveis graças à sofisticação do Telescópio Espacial Hubble. Por outro lado, a aplicação de filtros especializados nas imagens foi igualmente crucial. O filtro 1/r e o filtro Larson-Sekanina, com ângulo alfa de 15 graus, foram fundamentais para realçar a morfologia da coma interna.

Dessa forma, esses filtros funcionam removendo gradientes de brilho e destacando estruturas que seriam invisíveis nas imagens brutas. Além disso, a técnica de empilhamento mediano das imagens do Hubble reduz o ruído aleatório e aumenta o sinal das características reais do cometa. Portanto, essas metodologias representam o estado da arte em processamento astronômico de imagens.

A pesquisa foi conduzida por uma equipe internacional liderada por cientistas italianos, demonstrando a natureza colaborativa da astronomia moderna. Assim, observatórios e institutos de pesquisa ao redor do mundo trabalham juntos para maximizar o retorno científico de cada observação valiosa.

Implicações para Astrofísica e Exploração Espacial

As descobertas sobre o cometa 3I/ATLAS têm implicações profundas para nossa compreensão do universo. Primeiramente, elas confirmam que cometas interestelares exibem atividade semelhante aos cometas do nosso Sistema Solar, sugerindo processos de formação planetária universais. Contudo, diferenças sutis podem revelar variações nas condições de formação entre diferentes sistemas estelares.

Além disso, estudar objetos interestelares oferece uma forma única de amostrar material de outros sistemas planetários sem a necessidade de enviar sondas espaciais por distâncias interestelares. Portanto, cada visitante interestelar funciona como um mensageiro cósmico, trazendo informações sobre regiões do espaço que jamais poderíamos alcançar com nossa tecnologia atual.

De acordo com projeções científicas, espera-se que telescópios futuros, como o Observatório Vera Rubin, detectem dezenas de objetos interestelares anualmente. Assim, nos próximos anos, teremos uma amostra estatística muito maior para estudar, permitindo comparações sistemáticas e identificação de padrões.

Uma Janela Para o Cosmos Distante

Os jatos no cometa 3I/ATLAS representam muito mais que estruturas bonitas em um objeto celeste distante. Eles são mensageiros de mundos além do nosso, carregando informações sobre a química, a física e a história de sistemas estelares que jamais visitaremos. Portanto, cada detalhe capturado pelo Hubble nos aproxima um pouco mais de entender nosso lugar no cosmos e a diversidade de ambientes planetários que existem na galáxia.

Enquanto esse visitante interestelar continua sua jornada de volta ao espaço profundo, nunca mais retornando ao nosso Sistema Solar, as lições que aprendemos permanecerão. Assim, aguardamos ansiosamente o próximo viajante cósmico que cruzará nosso caminho, trazendo novos segredos e mistérios para desvendar.

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Perguntas Frequentes

O que é um cometa interestelar?

Um cometa interestelar é um objeto celeste composto de gelo, poeira e rochas que se originou em outro sistema solar e atravessa o nosso Sistema Solar em uma trajetória hiperbólica, nunca retornando ao Sol.

Quantos cometas interestelares já foram descobertos?

Até agora, apenas três objetos interestelares foram confirmados: ‘Oumuamua em 2017, o cometa 2I/Borisov em 2019 e o cometa C/2025 N1-3I/ATLAS em 2025.

O que são jatos cometários?

Jatos cometários são fluxos de gás e poeira que escapam de áreas ativas na superfície do núcleo de um cometa quando o gelo sublima devido ao aquecimento solar.

Por que o Telescópio Espacial Hubble é importante para estudar cometas?

O Hubble orbita acima da atmosfera terrestre, permitindo obter imagens com resolução muito superior e sem distorções atmosféricas, essencial para estudar detalhes finos como jatos em cometas distantes.

O que é uma anti-cauda em um cometa?

Uma anti-cauda é uma ilusão óptica que faz parecer que o cometa tem uma cauda apontando em direção ao Sol, criada pela geometria específica entre o observador, o cometa e o Sol.

Como os cientistas determinam a direção de rotação de um cometa?

Analisando a simetria dos jatos na coma do cometa, os cientistas podem calcular bissetrizes que indicam a direção projetada do eixo de rotação do núcleo cometário.

O cometa 3I/ATLAS voltará ao Sistema Solar?

Não. O cometa 3I/ATLAS segue uma órbita hiperbólica que o levará para fora do Sistema Solar permanentemente, retornando ao espaço interestelar de onde veio.

Indicação de Leitura

Gostou do nosso artigo? Então, continue explorando e veja as outras matérias que preparamos sobre esse incrível e misterioso visitante interestelar. Descubra como o 3I/ATLAS está ajudando cientistas da ESA e da NASA a desvendar os segredos dos cometas que vagam entre as estrelas e o que essas descobertas podem revelar sobre a formação dos mundos.

Sugestões de Links Internos (Inbound)

Sugestões de Links Externos (Outbound):

Fonte“Jets in the inner coma of comet 3I/ATLAS” astronomerstelegram.org

Artigo: “Assessing interstellar comet 3I/ATLAS with the 10.4 m Gran Telescopio Canarias and the Two-meter Twin Telescope

Artigo: “NASA’s Hubble Space Telescope Revisits Interstellar Comet”

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