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Galáxias Jovens Crescem Mais Rápido que o Esperado

Imagine crianças de dois anos agindo como adolescentes. Parece estranho, não é? Pois é exatamente isso que astrônomos descobriram ao observar galáxias jovens no universo distante. Essas galáxias jovens crescem e amadurecem muito mais rápido do que os cientistas imaginavam, desafiando tudo que sabíamos sobre a evolução cósmica.

Uma nova pesquisa multiespectral revelou que galáxias localizadas a 12,5 bilhões de anos-luz de distância já apresentam características surpreendentemente maduras. Portanto, essa descoberta está revolucionando nossa compreensão sobre como o universo primitivo funcionava.

Conjunto de 18 galáxias do levantamento ALPINE-CRISTAL-JWST mostrando gás ionizado e interações galácticas no universo primitivo.
Este conjunto de imagens apresenta as 18 galáxias estudadas pela pesquisa ALPINE-CRISTAL-JWST. Cada painel destaca a localização do gás ionizado, traçado pela linha hidrogênio alfa, assinatura espectral do hidrogênio aquecido e um importante indicador de formação estelar ativa.

Diversas galáxias mostradas estão em processo de interação e fusão, envolvendo duas ou até três galáxias simultaneamente. Essas colisões cósmicas aceleram a formação de estrelas e contribuem para o rápido amadurecimento estrutural e químico observado nas galáxias do universo primitivo.

Crédito: Andreas Faisst (Caltech) e equipe do levantamento ALPINE-CRISTAL-JWST

Como Cientistas Observaram Essas Galáxias Distantes

Durante oito anos, uma equipe internacional de mais de 50 cientistas utilizou três dos telescópios mais poderosos da humanidade. Assim, eles conseguiram capturar as imagens mais detalhadas já obtidas de galáxias em sua juventude cósmica.

O Telescópio Espacial Hubble, o James Webb e o radiotelescópio ALMA trabalharam juntos nessa missão. Enquanto isso, telescópios terrestres complementaram as observações, medindo características como a massa estelar total.

Segundo Andreas Faisst, cientista do Caltech que liderou as observações, essa combinação de instrumentos permitiu algo inédito. “Agora podemos estudar a evolução galáctica durante uma época-chave do universo que era difícil de imaginar até recentemente”, afirmou o pesquisador.

O Poder da Observação Multiespectral

A grande inovação dessa pesquisa foi observar as mesmas galáxias em múltiplos comprimentos de onda. Dessa forma, cada componente galáctico revelou seus segredos: estrelas brilham no ultravioleta, gás aquecido emite radiação específica e poeira fria aparece no infravermelho.

Além disso, as imagens têm resolução espacial suficiente para identificar regiões específicas dentro das galáxias. Portanto, os astrônomos conseguiram mapear exatamente onde novas estrelas estavam nascendo e como os elementos químicos se distribuíam.

O observatório Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) visto à noite, com suas antenas iluminadas sob as Nuvens de Magalhães no céu do deserto do Chile.
O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) sob as Nuvens de Magalhães, no deserto do Atacama, Chile — uma das janelas mais poderosas da humanidade para o universo.
Crédito: ESO/ALMA

Galáxias Adolescentes com Química Avançada

A descoberta mais surpreendente foi a maturidade química dessas galáxias jovens. Quando o universo tinha menos de um bilhão de anos, essas galáxias já haviam produzido quantidades impressionantes de elementos pesados, especialmente carbono e oxigênio.

Mas como isso acontece tão rapidamente? Quando uma galáxia nasce, ela contém principalmente hidrogênio e hélio. Contudo, conforme as estrelas se formam e envelhecem, elas fabricam elementos mais pesados em seus núcleos. Por outro lado, esse processo deveria levar muito tempo.

“Foi uma surpresa ver galáxias tão quimicamente maduras”, explica Faisst. “É como ver crianças de dois anos agindo como adolescentes.” Essa analogia ilustra perfeitamente o espanto dos cientistas.

A Receita para Criar Elementos Pesados

O ciclo funciona assim: bolsões de gás dentro das galáxias se condensam e acendem, formando novas estrelas. Essas estrelas, por sua vez, produzem elementos pesados através de reações nucleares. Posteriormente, esses elementos se tornam matéria-prima para a próxima geração estelar.

Assim, gerações sucessivas de estrelas enriquecem progressivamente a galáxia. No entanto, esse processo deveria demorar bilhões de anos segundo os modelos anteriores. Portanto, encontrar galáxias tão enriquecidas em menos de um bilhão de anos questiona nossa compreensão fundamental.

Além disso, esses elementos pesados são essenciais para formar planetas rochosos e, eventualmente, a vida como conhecemos. Sem carbono, oxigênio e outros metais astronômicos, nosso sistema solar nunca teria existido.

Infográfico mostrando a silhueta de um corpo humano preenchida por estrelas ao lado de uma tabela com os principais elementos químicos que compõem o corpo humano oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio, fósforo, potássio, enxofre, sódio, cloro e magnésio destacando como todos se originaram nas estrelas.
Infográfico mostrando os elementos que formam o corpo humano e suas proporções um lembrete visual de que cada átomo em nós nasceu nas estrelas.

Buracos Negros Supermassivos Crescendo Ativamente

Outro aspecto fascinante revelado pela pesquisa é que quase metade dessas galáxias jovens possuem buracos negros supermassivos se alimentando ativamente. Ou seja, esses monstros cósmicos estão engolindo material ao seu redor e crescendo rapidamente.

Enquanto isso, as galáxias também formam estrelas intensamente. Dessa forma, tanto a estrutura galáctica quanto seu buraco negro central evoluem simultaneamente, num ritmo muito mais acelerado que os cientistas previam.

Discos Rotatórios Formados Precocemente

Resultados anteriores da pesquisa ALPINE já haviam mostrado algo intrigante. Muitas dessas galáxias jovens exibem discos rotatórios organizados, semelhantes à estrutura espiral da Via Láctea.

“Agora, com essa nova pesquisa, podemos mostrar que algumas dessas galáxias estavam tanto estrutural quanto quimicamente evoluídas”, destaca Faisst. Portanto, a organização física e a maturidade química caminharam juntas desde muito cedo.

O Meio Circungaláctico Também Está Enriquecido

A surpresa não parou nas próprias galáxias. Segundo Wuji Wang, pesquisador de pós-doutorado da equipe, o gás ao redor dessas galáxias também apresenta alto enriquecimento químico.

“As galáxias mostram gradientes muito planos em suas abundâncias metálicas, alcançando mais de 30 mil anos-luz”, explica Wang. Assim, os elementos pesados não ficam concentrados apenas no centro galáctico, mas se espalham por vastas regiões ao redor.

Esse meio circungaláctico enriquecido sugere que processos violentos, como ventos estelares e explosões de supernovas, já estavam distribuindo materiais processados por grandes distâncias. Dessa forma, o ambiente cósmico ao redor das galáxias também amadurecia rapidamente.

Fusões Galácticas em Ação

Várias das 18 galáxias observadas estão interagindo entre si, num processo de fusão. Portanto, duas ou até três galáxias estão se combinando para formar estruturas maiores.

Essas colisões cósmicas aceleram ainda mais a formação estelar. Além disso, elas redistribuem gás, poeira e elementos químicos, contribuindo para o rápido amadurecimento observado.

Por outro lado, fusões galácticas eram consideradas relativamente raras nessa época do universo. Contudo, as novas observações mostram que elas aconteciam com frequência suficiente para impactar significativamente a evolução galáctica.

O Que Vem a Seguir Nessa Pesquisa

A equipe planeja aprofundar os estudos usando simulações cosmológicas avançadas. Dessa forma, os cientistas poderão comparar observações reais com modelos teóricos detalhados.

Segundo Faisst, essa combinação entre observações e simulações cria uma sinergia poderosa. “Isso nos ajudará a entender os detalhes da formação estelar e os mecanismos de produção de poeira e metais”, explica.

Além disso, esse conhecimento terá implicações profundas. Assim, poderemos compreender melhor como as primeiras estrelas e planetas se formaram e como nossa própria Via Láctea surgiu.

Por Que Isso Importa Para Nós

Você pode se perguntar: por que devemos nos importar com galáxias tão distantes? A resposta está na nossa própria existência. Essas galáxias jovens representam os estágios iniciais da evolução cósmica que eventualmente levou à formação da Via Láctea.

Portanto, entender como galáxias amadurecem rapidamente nos ajuda a compreender nossa própria origem. Além disso, revela que o universo primitivo era muito mais dinâmico e complexo do que imaginávamos.

Cada elemento pesado em nosso corpo foi forjado no interior de estrelas antigas. Assim, estudar essas galáxias distantes é, de certa forma, investigar de onde viemos.

O Universo Ainda Nos Surpreende

As galáxias jovens crescem e amadurecem muito mais rápido que os modelos teóricos previam. Essa descoberta revolucionária, obtida através da pesquisa ALPINE-CRISTAL-JWST, mostra que o universo primitivo era um lugar de evolução acelerada e processos intensos.

Desde a formação precoce de estruturas organizadas até o rápido enriquecimento químico, essas galáxias adolescentes desafiam nossa compreensão. Além disso, revelam que ainda temos muito a aprender sobre como o cosmos evoluiu desde o Big Bang até hoje.

O que mais o universo esconde sobre suas primeiras eras? Quais outras surpresas nos aguardam conforme aprimoramos nossos telescópios e técnicas de observação?

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FAQ – Perguntas Frequentes

A que distância estão essas galáxias jovens? As galáxias estudadas estão localizadas a aproximadamente 12,5 bilhões de anos-luz da Terra, permitindo observá-las como eram quando o universo tinha menos de 1 bilhão de anos.
Quais telescópios foram usados nessa descoberta? A pesquisa combinou dados do Telescópio Espacial Hubble, do James Webb, do radiotelescópio ALMA e de vários telescópios terrestres, ao longo de 8 anos de observações.
Por que essas galáxias são chamadas de quimicamente maduras? Porque elas já apresentam grandes quantidades de elementos pesados, como carbono e oxigênio, algo inesperado para galáxias tão jovens segundo modelos clássicos de evolução cósmica.
O que são elementos pesados em astronomia? Em astronomia, elementos pesados — também chamados de metais — são todos aqueles mais pesados que hidrogênio e hélio, incluindo carbono, oxigênio, ferro e outros fundamentais para a formação de planetas e, potencialmente, da vida.
Como essa descoberta afeta nossa compreensão do universo? Ela indica que as galáxias podem evoluir muito mais rápido do que se acreditava, sugerindo que a formação estelar intensa e o enriquecimento químico foram altamente eficientes no universo primitivo.
Quantas galáxias foram estudadas nessa pesquisa? O estudo analisou 18 galáxias selecionadas de um conjunto maior de 118 galáxias pertencentes à pesquisa original ALPINE.
Essas galáxias ainda existem hoje? Sim, mas passaram por profundas transformações. Após 12,5 bilhões de anos, elas provavelmente evoluíram para grandes galáxias maduras semelhantes à Via Láctea ou se fundiram com outras estruturas cósmicas.

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Fonte: Artigo “Young Galaxies Grow Up Fast” Publicado em public.nrao.edu

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