Pular para o conteúdo
Home » Blog » Barra de Ferro Misteriosa é Descoberta na Nebulosa do Anel

Barra de Ferro Misteriosa é Descoberta na Nebulosa do Anel

Uma descoberta surpreendente acabou de chamar a atenção da comunidade astronômica mundial. Astrônomos europeus identificaram uma misteriosa barra de ferro no interior da icônica Nebulosa do Anel, um dos objetos celestes mais fotografados e estudados do céu noturno. Essa estrutura, nunca antes observada, pode revelar segredos fascinantes sobre o ciclo de vida das estrelas — ou até mesmo evidências de um planeta rochoso que foi vaporizado. Portanto, prepare-se para mergulhar nessa história cósmica cheia de mistérios.

O Que é a Nebulosa do Anel?

Antes de explorarmos essa descoberta intrigante, vamos relembrar o que torna a Nebulosa do Anel tão especial. Também conhecida como Messier 57 ou NGC 6720, ela foi avistada pela primeira vez em 1779 pelo astrônomo francês Charles Messier, na constelação de Lyra. Assim, essa nebulosa representa o estágio final da vida de uma estrela parecida com o nosso Sol.

Quando uma estrela como a nossa esgota seu combustível nuclear, ela expele suas camadas externas para o espaço, criando essas impressionantes cascas de gás colorido. Aliás, nosso próprio Sol passará por esse processo daqui a alguns bilhões de anos. Dessa forma, observar a Nebulosa do Anel é como olhar para o futuro distante do nosso sistema solar.

Imagem composta em RGB da Nebulosa do Anel (Messier 57), construída a partir de observações do instrumento WEAVE/LIFU, mostrando o anel externo brilhante formado por diferentes íons de oxigênio e uma estrutura central causada por ferro altamente ionizado.
Imagem composta em cores RGB da Nebulosa do Anel, também conhecida como Messier 57 ou NGC 6720, criada a partir de quatro imagens em linhas de emissão obtidas pelo instrumento WEAVE/LIFU. O anel externo brilhante é formado pela luz emitida por três diferentes íons de oxigênio, enquanto a estrutura em forma de barra que cruza a região central é produzida por um plasma de átomos de ferro quatro vezes ionizados. Na imagem, o norte está orientado para cima e o leste para a esquerda.
Crédito: University College London (CC BY 4.0)

A Descoberta da Barra de Ferro Misteriosa

Agora chegamos ao ponto central: astrônomos da University College London e da Universidade de Cardiff fizeram uma descoberta extraordinária usando o telescópio William Herschel. Eles detectaram uma nuvem de átomos de ferro em forma de barra atravessando o centro da nebulosa. Além disso, essa estrutura possui dimensões impressionantes.

A barra de ferro tem um comprimento aproximado de 500 vezes a órbita de Plutão ao redor do Sol. Enquanto isso, sua massa total de átomos de ferro é comparável à massa do planeta Marte. Portanto, estamos falando de uma quantidade colossal de material metálico flutuando no espaço.

Como Essa Estrutura Foi Encontrada?

A descoberta só foi possível graças ao instrumento WEAVE (WHT Enhanced Area Velocity Explorer), recentemente instalado no telescópio de 4,2 metros William Herschel. Segundo o Dr. Roger Wesson, autor principal do estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, esse equipamento revolucionou a observação da nebulosa.

O WEAVE utiliza centenas de fibras ópticas que captam espectros de luz em todos os pontos da nebulosa simultaneamente. Assim, os cientistas conseguiram criar imagens em diferentes comprimentos de onda e determinar a composição química de cada região. Contudo, ninguém esperava encontrar essa barra distinta de ferro ionizado cortando o centro do anel familiar.

“Quando processamos os dados e examinamos as imagens, uma coisa ficou absolutamente clara — essa barra anteriormente desconhecida de átomos de ferro ionizado, bem no meio do anel icônico”, explicou Wesson.

Cúpula do Telescópio William Herschel no Observatório do Roque de los Muchachos, na ilha de La Palma, com a Via Láctea visível ao fundo durante a noite.
A cúpula do Telescópio William Herschel (WHT), localizado no Observatório do Roque de los Muchachos, na ilha de La Palma, aparece sob a Via Láctea nesta imagem noturna. O WHT, com espelho de 4,2 metros, integra o Isaac Newton Group e abriga o instrumento WEAVE (WHT Enhanced Area Velocity Explorer), uma grande atualização tecnológica que permitirá a observação simultânea de até 1.000 alvos por meio de fibras ópticas, contribuindo para estudos detalhados sobre a Via Láctea, a formação de estrelas e galáxias e a evolução do universo.
Crédito: Max Alexander

Por Que Essa Descoberta é Tão Importante?

Essa barra de ferro misteriosa levanta questões fundamentais sobre nossa compreensão das nebulosas planetárias. Por outro lado, ela também pode fornecer pistas sobre processos cósmicos que ainda não entendemos completamente.

Existem duas hipóteses principais para explicar a origem dessa estrutura. A primeira sugere que a barra revela algo novo sobre como a estrela progenitora ejetou o material da nebulosa. Dessa forma, poderíamos aprender mais sobre os estágios finais da evolução estelar.

Entretanto, a segunda hipótese é ainda mais fascinante: a barra de ferro pode ser resultado da vaporização de um planeta rochoso. Imagine um mundo semelhante à Terra ou Marte sendo completamente destruído pela expansão da estrela moribunda. Assim, seus elementos metálicos teriam sido espalhados pelo espaço, formando essa estrutura peculiar.

O Mistério Ainda Não Foi Resolvido

Apesar da descoberta empolgante, os astrônomos reconhecem que precisam de mais informações. Segundo a professora Janet Drew, também da UCL, identificar outros elementos químicos que coexistam com o ferro será fundamental para determinar qual cenário está correto.

“Definitivamente precisamos saber mais — particularmente se outros elementos químicos coexistem com o ferro recém-detectado, pois isso provavelmente nos dirá a classe correta de modelo a seguir”, afirmou Drew.

A equipe já planeja observações futuras usando o WEAVE em resolução espectral ainda maior. Portanto, nos próximos meses ou anos, poderemos ter respostas mais definitivas sobre esse enigma cósmico.

WHT, with WEAVE at top end, photo by Kane Sjoberg, Sep 2023)
A powerful new fibre-fed multi-object spectrograph, WEAVE, has been mounted at the prime focus of the WHT. The large-integral-field (LIFU) mode has been commissioned, and dedicated science surveys in this mode began in 2023. Commissioning of the multi-object (MOS) functionality is ongoing, and the MOS science surveys are expected to start in autumn 2025.

Once WEAVE is commissioned, 70% of the time on the telescope will be used to carry out the dedicated surveys with WEAVE. The remaining 30% of the time is open time, available to the community. During 2025 and 2026, open-time observations will be carried out with WEAVE only, and observations with older instruments (e.g. ISIS, ACAM) or visiting instruments will not be possible during this period.

The application procedure for WEAVE open time (including target-of-opportunity) is documented here.

The median seeing at the WHT is 0.8 arcsec during April - November. The dark-of-moon sky brightness at high ecliptic latitude is similar to that at other good dark sites, V ~ 21.9 mag arcsec2.
O Telescópio William Herschel (WHT) aparece nesta imagem com o espectrógrafo WEAVE instalado em seu foco primário. O WEAVE é um novo e poderoso espectrógrafo multifibra para múltiplos objetos, capaz de observar centenas de alvos simultaneamente. Seu modo de grande campo integral (LIFU) entrou em operação científica em 2023, enquanto a funcionalidade de múltiplos objetos (MOS) segue em fase de comissionamento, com início das pesquisas científicas previsto para o outono de 2025. Após sua plena operação, o WEAVE ocupará a maior parte do tempo científico do telescópio, desempenhando papel central em levantamentos dedicados sobre estrelas, galáxias e a estrutura do universo.
Crédito: Kane Sjoberg (setembro de 2023)

Esse Fenômeno Pode Ser Comum?

Uma pergunta intrigante surge naturalmente: será que a Nebulosa do Anel é única nesse aspecto? Os pesquisadores acreditam que não. De acordo com Dr. Wesson, seria muito surpreendente se essa barra de ferro fosse um caso isolado.

O projeto WEAVE está conduzindo oito levantamentos ao longo dos próximos cinco anos, observando desde anãs brancas próximas até galáxias distantes. Além disso, o estudo de física estelar, circumstelar e interestelar do WEAVE, liderado pela professora Drew, investigará muitas outras nebulosas ionizadas na Via Láctea setentrional.

Dessa forma, conforme mais nebulosas planetárias forem analisadas com essa tecnologia avançada, provavelmente encontraremos mais exemplos desse fenômeno. Consequentemente, isso nos ajudará a compreender melhor de onde vem esse ferro e como essas estruturas se formam.

O Futuro da Nebulosa do Anel Está Apenas Começando

Embora a Nebulosa do Anel seja estudada há mais de dois séculos, ela continua nos surpreendendo. Essa descoberta demonstra como avanços tecnológicos podem revelar detalhes completamente inesperados em objetos que pensávamos conhecer bem.

O professor Scott Trager, cientista do projeto WEAVE na Universidade de Groningen, destacou que essa descoberta exemplifica as capacidades surpreendentes do novo instrumento. “Esperamos muitas mais descobertas deste novo instrumento”, declarou com entusiasmo.

O Universo Ainda Tem Muito a Nos Ensinar

A descoberta da barra de ferro misteriosa na Nebulosa do Anel nos lembra que o cosmos está repleto de surpresas esperando para serem reveladas. Será que testemunhamos os restos vaporizados de um planeta antigo? Ou descobrimos um novo aspecto da morte estelar que não compreendíamos antes? Apenas o tempo e mais observações nos darão essas respostas.

Enquanto isso, continue acompanhando as maravilhas do universo aqui no Rolê no Espaço. Visite nosso site www.rolenoespaco.com.br e siga nosso Instagram @role_no_espaco para não perder nenhuma descoberta astronômica fascinante. Afinal, o espaço sempre tem uma nova história incrível para contar!


FAQ – Perguntas Frequentes

O que é a Nebulosa do Anel?

A Nebulosa do Anel é uma nebulosa planetária localizada na constelação de Lyra, formada pelo gás expelido por uma estrela moribunda há milhares de anos.

Qual o tamanho da barra de ferro descoberta?

A barra possui um comprimento aproximado de 500 vezes a órbita de Plutão ao redor do Sol e uma massa comparável à do planeta Marte.

Como essa barra de ferro foi descoberta?

A descoberta foi feita com o instrumento WEAVE, instalado no telescópio William Herschel, que permitiu uma análise espectral detalhada de toda a nebulosa.

De onde vem esse ferro na nebulosa?

A origem do ferro ainda é um mistério. Ele pode ser resultado do processo de ejeção da própria estrela ou da vaporização de um planeta rochoso que orbitava o sistema.

A Nebulosa do Anel pode ser vista a olho nu?

Não diretamente. No entanto, ela pode ser observada com pequenos telescópios amadores em noites escuras de verão no hemisfério norte.

Por que essa descoberta é importante?

Ela pode revelar processos até então desconhecidos da evolução estelar ou fornecer evidências da destruição de planetas por estrelas em seus estágios finais de vida.

Haverá mais descobertas como essa?

Sim. O projeto WEAVE continuará observando diversas nebulosas ao longo dos próximos cinco anos, o que pode levar à descoberta de estruturas semelhantes.

Indicação de Leitura

Gostou do nosso artigo? Então continue explorando as descobertas do ALMA, o observatório que está revolucionando a astronomia moderna. Dê sequência à sua jornada pelo cosmos e conheça como o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array revela os segredos da formação de estrelas, planetas e galáxias. Cada observação do ALMA amplia nossa compreensão do universo — e mostra como a ciência, aqui na Terra, também evolui com essas descobertas.

Sugestões de Links Internos (Inbound)

ALMA Confirma: O Universo Primitivo Era Mais Quente do que Imaginamos

Sugestões de Links Externos (Outbound):

Todos os créditos de imagem Reservados à ALMA.
Imagens, dados e informações utilizadas nesta matéria são de propriedade da ALMA e foram disponibilizadas para fins educacionais e informativos.

Fonte: Artigo ” Mysterious iron ‘bar’ discovered in famous nebula”  publicado no site ras.ac.uk

Marcações:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *