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Corte no orçamento científico dos EUA: o que está em jogo?

O corte no orçamento científico dos EUA está no centro de uma das maiores crises da ciência moderna. Você sabia que o NIH, o maior financiador público de pesquisa biomédica do mundo, recebeu apenas um terço do seu orçamento aprovado para 2026? Isso mesmo: bilhões de dólares aprovados pelo Congresso americano simplesmente não chegam às mãos dos pesquisadores. E o impacto disso vai muito além das fronteiras americanas.

Portanto, entender o que está acontecendo com o financiamento da ciência nos Estados Unidos é essencial para qualquer pessoa que acompanha astronomia, exploração espacial ou pesquisa científica. Além disso, as consequências desse bloqueio afetam projetos internacionais, missões à Lua, missões a Vênus e até satélites de observação da Terra.

“Cientista da NASA de meia-idade sentado sozinho em um escritório pouco iluminado à noite, com crachá da NASA, segurando uma carta impressa com as mãos trêmulas e lágrimas no rosto. A mesa está coberta com patches de missões, fotos de espaçonaves e modelos de engenharia. Ao fundo, a janela revela a sede da NASA ao entardecer. Cena emocional que transmite tristeza autêntica, semelhante a um documentário

O que é o corte no orçamento científico dos EUA

Em fevereiro de 2025, o Congresso dos Estados Unidos rejeitou cortes históricos ao orçamento de agências científicas propostos pela administração Trump. Contudo, mesmo com essa vitória legislativa, o dinheiro aprovado não foi liberado. O problema está no escritório de gestão do orçamento, o OMB (Office of Management and Budget), que atua como porteiro dos recursos federais.

De acordo com dados da revista Nature, o NIH (National Institutes of Health) ainda não recebeu aprovação para gastar nenhum dos recursos de pesquisa alocados em um projeto de lei assinado em 3 de fevereiro de 2026. Enquanto isso, a NSF (National Science Foundation) só recebeu autorização para gastar seus recursos semanas após a lei ser sancionada. Dessa forma, o bloqueio é real e seus efeitos já são sentidos por pesquisadores em todo o mundo.

Como funciona o bloqueio de verbas federais

Normalmente, após a aprovação do orçamento anual, as agências recebem automaticamente uma fatia de 30 dias de seus recursos para começar a operar. Esse processo se repete até que o OMB aprove os planos de gasto individuais de cada agência, liberando assim o restante do dinheiro. Contudo, em agosto de 2024, o OMB revisou um documento interno chamado de “Bíblia do Orçamento” (Circular A-11) para restringir essas liberações automáticas apenas a despesas essenciais, como salários.

Segundo especialistas ouvidos pela Nature, essa é uma forma do governo federal exercer controle sobre como as agências gastam seus recursos, mesmo após o Congresso ter aprovado o orçamento. Portanto, trata-se de uma manobra que vai além da política orçamentária convencional. “É uma saída drástica da prática histórica”, afirmou a congressista Rosa DeLauro, segundo reportagem da Nature.

O impacto na NASA e nas missões espaciais

Para quem acompanha exploração espacial, a situação na NASA é especialmente preocupante. Embora a agência tenha recebido aprovação para gastar seus recursos totais de 2026, o OMB incluiu uma restrição incomum: dez programas específicos de ciência não podem receber novos recursos enquanto não fornecerem mais detalhes sobre como usarão o dinheiro. Entre os projetos afetados estão missões a Vênus, a um asteroide com potencial de ameaça à Terra e satélites de ciências da Terra.

Além disso, muitas dessas missões têm colaboradores internacionais. Portanto, o atraso não é apenas um problema americano. “É atraso, atraso, atraso, mesmo quando o Congresso tem sido tão claro em seu apoio aos programas científicos na NASA”, disse Jack Kiraly, da Planetary Society, segundo dados da Nature. Assim, missões que poderiam ampliar nosso entendimento do sistema solar ficam em compasso de espera por decisões burocráticas.

Gráfico de linhas mostrando a queda no número de bolsas concedidas em 2026 em comparação com os anos fiscais de 2020 a 2025. Até 20 de fevereiro de 2026 foram concedidas 796 bolsas, enquanto em anos anteriores o número ultrapassava 2.300 no mesmo período. Eixo vertical indica número de concessões (em milhares) e eixo horizontal mostra os meses do ano fiscal.
Número de bolsas concedidas no ano fiscal de 2026 despenca em comparação com anos anteriores, evidenciando o impacto do bloqueio orçamentário nas agências científicas dos EUA. Dados divulgados pela revista Nature.

Missões espaciais ameaçadas pelo bloqueio orçamentário

A missão a Vênus é um exemplo claro. Nosso planeta vizinho ainda guarda muitos segredos sobre seu passado e sobre como se transformou no inferno vulcânico que conhecemos hoje. Contudo, sem verbas liberadas, as equipes não podem avançar nos contratos, nas peças ou no desenvolvimento dos instrumentos científicos. Da mesma forma, a missão ao asteroide Apophis, que passará perigosamente perto da Terra em 2029, precisa de planejamento imediato.

Ilustração da espaçonave DAVINCI estudando Vênus, preparada para sobrevoar as nuvens e descer até a superfície do planeta-irmão da Terra.
DAVINCI estudará Vênus desde suas nuvens até a superfície — a primeira missão a investigar o planeta usando sobrevoos e uma sonda de descida. Junto com a missão VERITAS, são as primeiras espaçonaves da NASA a explorar o planeta-irmão da Terra desde a década de 1990. Crédito: NASA

Corte no orçamento científico: números que assustam

Os dados revelados pela Nature são alarmantes. O NIH, que financia pesquisas biomédicas com um orçamento de cerca de 47 bilhões de dólares, concedeu apenas 30% do número habitual de novos projetos de pesquisa neste ano fiscal, comparado à média dos últimos seis anos. Além disso, um shutdown do governo americano que durou 43 dias entre outubro e novembro de 2025 já havia agravado o cenário.

Por outro lado, a NSF, responsável por financiar cerca de 25% de toda a pesquisa básica nas universidades americanas, registrou uma queda ainda maior: apenas 20% das concessões habituais foram feitas neste ano fiscal. Dessa forma, centenas de pesquisadores ficam sem saber se receberão apoio para continuar seus projetos. Enquanto isso, o OMB simplesmente não respondeu às consultas da imprensa científica.

Ano passado já foi um sinal de alerta

Em 2025, o cenário já havia sido grave. Segundo a análise da revista Science citada pela Nature, a NSF gastou quase todo o seu orçamento de 9 bilhões de dólares, mas emitiu cerca de 20% menos novas bolsas do que em 2024. No caso do NIH, a queda foi de aproximadamente 24% abaixo da média dos dez anos anteriores. Contudo, para compensar o calendário apertado, a agência chegou a conceder a alguns projetos vários anos de financiamento de uma só vez antes do prazo de 30 de setembro.

Por que isso importa para a ciência global

A ciência não respeita fronteiras. Portanto, quando os EUA travam seus financiamentos, o impacto se espalha pelo mundo. Colaborações internacionais em física, astronomia, medicina e ciências climáticas dependem do apoio americano. Além disso, estudantes e pesquisadores de todo o planeta, inclusive do Brasil, realizam pesquisas em parceria com universidades e agências americanas.

Dessa forma, um atraso no NIH pode paralisar um estudo sobre doenças tropicais feito em parceria com uma universidade brasileira. Um congelamento na NASA pode adiar a participação europeia em uma missão espacial conjunta. Contudo, o que mais preocupa os especialistas é a incerteza prolongada, que acaba afastando talentos da carreira científica e enfraquecendo o ecossistema de pesquisa como um todo.

O que pode acontecer a seguir com o orçamento científico

Especialistas consultados pela Nature temem que nem a NSF nem o NIH consigam recuperar o tempo perdido até o final do ano fiscal, em 30 de setembro de 2026. Por outro lado, há pressão crescente no Congresso para que o OMB libere os fundos conforme exige a lei. A congressista Rosa DeLauro e a senadora Patty Murray enviaram carta oficial ao OMB exigindo a liberação imediata dos recursos.

Além disso, em 2025 houve um precedente interessante: quando um congelamento semelhante no NIH foi noticiado pelo Wall Street Journal, o OMB desbloqueou os fundos um dia depois. Portanto, a pressão pública e midiática tem efeito. Contudo, desta vez a situação parece mais sistemática e deliberada, tornando a resolução menos imediata.

A ciência não pode esperar pela burocracia

O corte no orçamento científico dos EUA revela uma tensão profunda entre poder político e autonomia científica. Por um lado, o Congresso aprova os recursos e expressa seu apoio à ciência. Por outro, o executivo usa ferramentas burocráticas para segurar o dinheiro sem prestar contas formalmente. Assim, pesquisadores ficam no meio de um jogo de poder que prejudica décadas de progresso científico.

Afinal, quando adiamos uma missão a Vênus ou paralisamos pesquisas biomédicas por questões políticas, quem perde somos todos nós. A pergunta que fica é: quanto tempo a ciência consegue sobreviver à indiferença dos governantes?

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FAQ: Perguntas frequentes sobre o corte no orçamento científico dos EUA

1. O que é o OMB e por que ele tem tanto poder sobre a ciência americana?

O OMB (Office of Management and Budget) é o escritório da Casa Branca responsável por coordenar o orçamento federal. Ele tem o poder de autorizar ou atrasar a liberação de verbas aprovadas pelo Congresso, o que lhe confere grande influência sobre como as agências científicas operam no dia a dia.

2. O corte no orçamento científico dos EUA afeta pesquisadores brasileiros?

Sim. Muitos pesquisadores brasileiros têm colaborações ativas com universidades e agências americanas. Portanto, atrasos no NIH, na NSF e na NASA podem impactar projetos conjuntos nas áreas de saúde, astronomia e ciências ambientais.

3. Quais missões espaciais da NASA estão sendo afetadas?

Entre os projetos impactados estão missões a Vênus, uma missão a um asteroide com potencial de ameaça à Terra e satélites de observação da Terra voltados para estudos climáticos.

4. Por quanto tempo esse bloqueio já está em vigor?

O atual congelamento iniciou com o novo ano fiscal em outubro de 2025. Além disso, um shutdown do governo que durou 43 dias entre outubro e novembro já havia atrasado revisões de pedidos de bolsas, agravando o cenário para pesquisadores.

5. Existe alguma previsão para a liberação dos recursos científicos?

Até o momento, o OMB não deu previsão oficial. Contudo, há pressão do Congresso e de entidades científicas para que os recursos sejam liberados o mais rapidamente possível, especialmente para que o NIH e a NSF consigam recuperar o ritmo normal de concessão de bolsas antes do fim do ano fiscal.

6. Esse bloqueio é legal?

É um ponto de disputa. Congressistas como Rosa DeLauro e Patty Murray afirmam que o bloqueio viola a lei, já que o Congresso aprovou o orçamento. Por outro lado, o OMB argumenta que tem o papel de garantir que as agências usem os recursos de acordo com as prioridades da Casa Branca.

7. Como posso acompanhar as novidades sobre ciência e espaço?

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Fonte: Artigo “White House stalls release of approved US science budgets” publicado em Nature.com

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