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Estrela companheira de Betelgeuse: O mistério finalmente revelado pelo Hubble

Estrela companheira de Betelgeuse: A descoberta do Hubble

Betelgeuse, a gigante vermelha que brilha na constelação de Órion, sempre foi um mistério para a astronomia. Ela “espirrou” em 2020, diminuindo seu brilho de forma inesperada, e astrônomos ficaram coçando a cabeça, buscando uma explicação. Contudo, o Telescópio Espacial Hubble e observatórios terrestres trouxeram a resposta. Eles revelaram a influência de uma estrela companheira de Betelgeuse até então indetectável. Essa descoberta não só explica o comportamento estranho da supergigante, como também abre um novo capítulo na nossa compreensão sobre o fim da vida das estrelas massivas.

Afinal, Betelgeuse é uma estrela supergigante vermelha, localizada a aproximadamente 650 anos-luz da Terra. Por causa de seu tamanho colossal e proximidade, ela é um laboratório acessível para estudar como as estrelas gigantes envelhecem, perdem massa e, eventualmente, explodem como supernovas. Por décadas, os cientistas rastrearam as mudanças em seu brilho e nas características de sua superfície, na esperança de entender por que a estrela se comporta de maneira tão peculiar.

Ilustração do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA em órbita a 600 quilômetros acima da Terra, mostrando sua posição no espaço e estrutura externa.
Ilustração do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA em órbita a 600 quilômetros acima da Terra, mostrando sua posição no espaço e estrutura externa. Credito ESA

O que é a estrela companheira de Betelgeuse e como ela foi encontrada?

A ideia de que Betelgeuse possuía uma companheira oculta vinha ganhando força nos últimos anos, mas faltava a prova definitiva. Agora, os astrônomos têm evidências sólidas. De acordo com dados da NASA e do Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian (CfA), a equipe de pesquisa rastreou a influência de uma estrela companheira recém-descoberta, apelidada de Siwarha, no gás ao redor de Betelgeuse.

A descoberta foi possível graças a um monitoramento cuidadoso das mudanças na luz da estrela ao longo de quase oito anos. Essas alterações mostraram os efeitos da companheira enquanto ela atravessa a vasta atmosfera estendida de Betelgeuse. A equipe usou o Hubble e telescópios terrestres, como os do Observatório Fred Lawrence Whipple, para observar um padrão de mudanças no espectro da estrela – as cores específicas de luz emitidas por diferentes elementos. Além disso, eles notaram alterações na velocidade e direção dos gases na atmosfera externa, causadas por um rastro de material mais denso.

Ilustração artística mostra a supergigante vermelha Betelgeuse e sua estrela companheira orbitando através de sua atmosfera externa, criando um rastro denso de gás detectado pelo Telescópio Espacial Hubble.
Concepção artística da estrela supergigante vermelha Betelgeuse e sua estrela companheira, que orbita tão próxima que atravessa a atmosfera externa da gigante, criando um rastro denso de gás. Esse fenômeno, detectado com apoio do Telescópio Espacial Hubble, ajudou a revelar a presença da companheira oculta e explicar as variações no brilho da estrela.

Arte: NASA, ESA, Elizabeth Wheatley (STScI)
Ciência: Andrea Dupree (CfA)

Siwarha: A pequena vizinha que faz a gigante Betelgeuse “espirrar”

A estrela companheira de Betelgeuse, Siwarha, está tão próxima da supergigante que passa pela sua atmosfera externa. A astrônoma Andrea Dupree, principal autora do estudo, descreve o fenômeno de forma muito didática: “É um pouco como um barco se movendo na água. A estrela companheira cria um efeito de ondulação na atmosfera de Betelgeuse que podemos realmente ver nos dados.”

Este rastro de gás denso, ou “esteira”, é a chave para desvendar o mistério. Ele aparece logo após a companheira cruzar na frente de Betelgeuse a cada seis anos, ou cerca de 2.100 dias, confirmando modelos teóricos. O efeito é tão significativo que a companheira está, literalmente, moldando a aparência e o comportamento da estrela gigante.

Imagem da estrela Betelgeuse em tons amarelo-avermelhados. Uma seta amarela destaca sua estrela companheira próxima, visível como um ponto azul tênue. Dados: NASA, JPL e NOIRLab; visualização: NOIRLab.
Betelgeuse em amarelo-avermelhado com seta amarela apontando para sua estrela companheira azul. Imagem: NASA/JPL/NOIRLab.

O efeito “rastro de barco” na atmosfera estelar

Imagine uma estrela que é centenas de vezes maior que o nosso Sol. Essa estrela, Betelgeuse, está constantemente perdendo material para o espaço, formando uma atmosfera extensa e difusa. Quando Siwarha, a estrela companheira de Betelgeuse, se move através dessa atmosfera, ela age como um arado. Ela empurra e comprime o gás, criando um rastro denso de material que se expande para fora.

Este rastro de gás denso é o que os cientistas conseguiram detectar. Segundo a pesquisa, a detecção desse rastro resolve um dos maiores enigmas sobre a estrela gigante. Anteriormente, os cientistas consideravam várias hipóteses, desde grandes células de convecção e nuvens de poeira até atividade magnética. Agora, a evidência é clara: a companheira está perturbando a atmosfera da supergigante.

Ilustração científica mostra variações na luz de Betelgeuse detectadas pelo Telescópio Espacial Hubble, associadas ao rastro de gás criado por uma estrela companheira orbitando dentro da atmosfera da supergigante.
Cientistas usaram o Telescópio Espacial Hubble, da NASA, para buscar evidências de um rastro de gás gerado por uma estrela companheira orbitando Betelgeuse. As observações revelaram diferenças claras no sinal de luz conforme a companheira muda de posição em sua órbita, fornecendo pela primeira vez evidências diretas de que essa estrela oculta está perturbando a atmosfera da supergigante vermelha. A descoberta ajuda a explicar o comportamento incomum de Betelgeuse e aprofunda o entendimento sobre a evolução, a perda de massa e o destino final de estrelas gigantes. Ilustração: NASA, ESA, Elizabeth Wheatley (STScI)
Ciência: Andrea Dupree (CfA)

Por que essa descoberta muda tudo o que sabemos sobre supergigantes vermelhas?

A confirmação da estrela companheira de Betelgeuse é um divisor de águas na astrofísica. Por muito tempo, os astrônomos tentaram explicar o comportamento de Betelgeuse apenas com base em processos internos da estrela. A descoberta de Siwarha introduz um fator externo crucial.

Essa nova perspectiva permite que os cientistas expliquem como estrelas como Betelgeuse evoluem, perdem material e, por fim, explodem como supernovas. A interação binária, onde duas estrelas orbitam uma à outra, é muito mais comum no universo do que se pensava. Portanto, entender como a companheira afeta a perda de massa de Betelgeuse pode ser a chave para prever o destino de outras supergigantes vermelhas.

O ciclo de 2.100 dias e as pulsações de Betelgeuse

O comportamento de Betelgeuse sempre intrigou a comunidade científica por causa de dois períodos distintos de variação em seu brilho. O primeiro é um ciclo curto de 400 dias, que foi recentemente atribuído a pulsações dentro da própria estrela. O segundo, e mais misterioso, era um período secundário longo de 2.100 dias.

A presença da estrela companheira de Betelgeuse explica perfeitamente esse ciclo de 2.100 dias. Ele corresponde ao tempo que Siwarha leva para completar uma órbita ao redor da gigante. A cada passagem, ela interage com a atmosfera, causando a variação de brilho observada. A confirmação dessa teoria por meio de evidências diretas do rastro de gás é um triunfo da observação astronômica. A partir de agora, os cientistas podem usar Betelgeuse como um modelo para entender fenômenos semelhantes em outras estrelas gigantes e supergigantes.

O futuro de Betelgeuse: O que esperar para 2027?

Com a descoberta, a comunidade científica já está de olho no futuro. Atualmente, Betelgeuse está eclipsando sua companheira do nosso ponto de vista. Isso significa que Siwarha está atrás da gigante vermelha, escondida de nós.

No entanto, os astrônomos já planejam novas observações para a próxima emergência da companheira, prevista para 2027. Este será um momento crucial para coletar ainda mais dados e refinar os modelos de interação binária. A cada nova observação, a ciência avança, e a humanidade ganha um “assento na primeira fila” para assistir a como uma estrela gigante muda ao longo do tempo. A estrela companheira de Betelgeuse não é apenas uma descoberta; é uma janela para o destino final das estrelas.

Imagem da estrela Betelgeuse, visível em tons amarelo-avermelhados, com a assinatura de sua estrela companheira próxima, representada como um ponto azul tênue. Dados da NASA, JPL e NOIRLab; visualização feita pelo NOIRLab.
Betelgeuse em amarelo-avermelhado com ponto azul indicando sua estrela companheira. Imagem: NASA/JPL/NOIRLab.

Um novo capítulo na astronomia moderna

A revelação da estrela companheira de Betelgeuse encerra um mistério de décadas e, simultaneamente, abre uma série de novas perguntas fascinantes. A complexidade das interações estelares binárias é muito maior do que imaginávamos, e a pequena Siwarha tem um papel gigantesco na vida e na morte de sua vizinha supergigante.

Essa descoberta nos lembra que o universo está sempre nos surpreendendo, e que as explicações mais simples nem sempre são as mais óbvias. Qual será o próximo segredo que Betelgeuse nos revelará em 2027?

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FAQ – Perguntas Frequentes sobre Betelgeuse e sua Companheira

Qual é o nome da estrela companheira de Betelgeuse? A estrela companheira foi apelidada de Siwarha, um nome que reflete sua natureza oculta e a importância de sua descoberta para a compreensão do sistema.
O que é Betelgeuse? Betelgeuse é uma estrela supergigante vermelha, uma das maiores e mais brilhantes visíveis no céu noturno, localizada na constelação de Órion.
O que causou o “espirro” de Betelgeuse em 2020? O escurecimento inesperado observado em 2020 foi causado por uma ejeção de massa superficial. A interação gravitacional com a estrela companheira pode ter influenciado a perda de material da supergigante.
Qual é a distância de Betelgeuse até a Terra? Betelgeuse está localizada a aproximadamente 650 anos-luz de distância da Terra.
Qual é o período orbital da estrela companheira? A estrela companheira, Siwarha, orbita Betelgeuse em um ciclo de cerca de 2.100 dias, o equivalente a aproximadamente seis anos terrestres.
O que é o “rastro de barco” detectado? Trata-se de um rastro de gás denso criado pela estrela companheira ao se mover através da atmosfera externa de Betelgeuse, semelhante à esteira deixada por um barco na água, afetando o brilho observado da estrela.
Quando os astrônomos farão novas observações cruciais? Novas observações decisivas estão previstas para 2027, quando a estrela companheira deverá emergir de trás de Betelgeuse, permitindo medições mais precisas. Indicação de Leitura

Gostou do nosso artigo? Então, continue explorando as missões e descobertas do Telescópio Espacial Hubble, um dos observatórios mais importantes da história da astronomia. Ao longo de sua jornada pelo cosmos, o Hubble revolucionou nossa compreensão do universo, revelando galáxias distantes, nebulosas impressionantes, exoplanetas e estruturas invisíveis aos telescópios terrestres. Com dados fundamentais para a NASA, ESA e a ciência moderna, o Hubble segue desvendando os mistérios do espaço profundo e preparando o caminho para uma nova era de observação astronômica. Sem dúvida, sua trajetória é um dos capítulos mais fascinantes da exploração espacial.

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Fonte:”NASA Hubble Helps Detect ‘Wake’ of Betelgeuse’s Elusive Companion Star” publicado em science.nasa.gov

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