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Planetas em formação: telescópio flagra dois mundos nascendo ao redor de estrela jovem

Astrônomos acabaram de registrar algo que vai deixar qualquer apaixonado pelo cosmos com o queixo caído: dois planetas em formação sendo fotografados ao vivo, ao redor de uma estrela jovem chamada WISPIT 2. Além disso, o sistema tem tudo para ser o espelho mais fiel que já encontramos do nosso próprio Sistema Solar em seus primórdios. É como olhar para o passado e ver a Terra sendo construída tijolo por tijolo.

Mas como isso foi possível? E o que essa descoberta diz sobre a nossa própria origem? Vem comigo nessa viagem.

Uma vista por uma das trilhas dos Telescópios Auxiliares revela os quatro Telescópios Unitários de 8,2 metros que compõem o Very Large Telescope (VLT) do ESO. Saindo do abrigo mais à direita, o feixe intensamente laranja de uma Estrela Guia a Laser dispara pelo céu noturno, iluminando o observatório com seu brilho quente.
Uma vista por uma das trilhas dos Telescópios Auxiliares revela os quatro Telescópios Unitários de 8,2 metros que compõem o Very Large Telescope (VLT) do ESO. Saindo do abrigo mais à direita, o feixe intensamente laranja de uma Estrela Guia a Laser dispara pelo céu noturno, iluminando o observatório com seu brilho quente.

O que são planetas em formação e por que são tão raros de ver?

Quando uma estrela nasce, ela traz consigo um disco enorme de gás e poeira ao seu redor — chamado de disco protoplanetário. Dentro desse disco, partículas se acumulam, se atraem pela gravidade e, aos poucos, formam corpos cada vez maiores. Esse é o processo de formação planetária. O problema é que esse processo ocorre dentro do disco, o que torna a observação direta extremamente difícil.

Por isso, encontrar um planeta em plena formação — e ainda conseguir fotografá-lo — é algo raríssimo. Antes de WISPIT 2, apenas um outro sistema havia registrado dois planetas nascendo ao mesmo tempo: o sistema PDS 70, que ficou famoso na comunidade astronômica. Portanto, WISPIT 2 é apenas o segundo caso conhecido na história da astronomia.

Imagens do Very Large Telescope mostram dois planetas em formação ao redor da estrela jovem WISPIT 2
Observações do Very Large Telescope revelam dois planetas em formação no disco protoplanetário da estrela jovem WISPIT 2. Crédito: ESO/C. Lawlor, R. F. van Capelleveen et al.

Como os astrônomos detectaram os planetas?

A equipe utilizou instrumentos de ponta do Observatório Europeu do Sul (ESO), localizado no deserto do Atacama, no Chile. Primeiro, o instrumento SPHERE, acoplado ao Very Large Telescope (VLT), capturou a imagem direta do segundo planeta. Em seguida, o instrumento GRAVITY+, conectado ao interferômetro VLTI, confirmou a natureza planetária do objeto.

Segundo a equipe de pesquisa, sem a atualização recente do GRAVITY+ não teria sido possível obter uma detecção tão clara de um planeta tão próximo à sua estrela. Assim, a tecnologia mais moderna foi essencial para tornar essa descoberta uma realidade.

WISPIT 2: o Sistema Solar que existiu há bilhões de anos

O sistema WISPIT 2 é jovem — muito jovem para os padrões cósmicos. E é exatamente essa juventude que o torna tão valioso. De acordo com dados da publicação na revista The Astrophysical Journal Letters, o sistema apresenta um disco protoplanetário extenso, com anéis de poeira bem definidos e lacunas claras onde os planetas estão se formando.

O primeiro planeta identificado no sistema, chamado WISPIT 2b, possui massa quase cinco vezes maior que a de Júpiter. Ele orbita sua estrela a uma distância equivalente a cerca de 60 vezes a distância entre a Terra e o Sol. Já o recém-confirmado WISPIT 2c fica quatro vezes mais próximo da estrela e tem o dobro da massa do irmão mais distante. Ambos são gigantes gasosos — planetas parecidos com Júpiter e Saturno.

Além desses dois mundos, os cientistas identificaram pelo menos uma terceira lacuna no disco, ainda mais externa. Segundo a pesquisadora Chloe Lawlor, doutoranda na Universidade de Galway e autora principal do estudo, essa lacuna pode indicar um terceiro planeta em formação, possivelmente com massa parecida com a de Saturno. Portanto, WISPIT 2 pode esconder ainda mais surpresas.

Imagens do Very Large Telescope mostram dois planetas em formação ao redor da estrela jovem WISPIT 2, com dados confirmados pelo interferômetro VLTI
Imagens obtidas pelo Very Large Telescope com o instrumento SPHERE revelam dois planetas em formação ao redor da estrela jovem WISPIT 2. O planeta WISPIT 2c foi confirmado com o instrumento GRAVITY+ no VLTI, que identificou sua natureza compacta e detectou a presença de monóxido de carbono em sua atmosfera. Crédito: ESO/C. Lawlor, R. F. van Capelleveen et al.

Por que isso lembra nosso Sistema Solar?

A configuração de WISPIT 2 — com gigantes gasosos se formando nas regiões externas do disco — é muito semelhante ao que se acredita ter ocorrido no início do nosso Sistema Solar. De acordo com os modelos teóricos, Júpiter e Saturno também se formaram em anéis externos ao Sol, enquanto os planetas rochosos surgiram nas regiões internas.

Contudo, nunca tínhamos conseguido observar esse processo acontecendo em tempo real, em outro sistema, com tanta clareza. Dessa forma, WISPIT 2 oferece um laboratório astronômico único para entender não apenas como outros planetas surgem, mas também como o nosso próprio lar cósmico se formou.

O papel do ESO e dos telescópios de última geração

A descoberta reforça o papel central que os telescópios do ESO desempenham na fronteira da astronomia moderna. O Very Large Telescope, instalado no Cerro Paranal, é um dos observatórios mais avançados do planeta. Por outro lado, o instrumento GRAVITY+, que combina a luz de quatro telescópios ao mesmo tempo por interferometria, permite resolução angular impressionante — capaz de distinguir objetos incrivelmente próximos uns dos outros no céu.

Além disso, o pesquisador Christian Ginski, co-autor do estudo e também da Universidade de Galway, destaca que com o futuro Extremely Large Telescope (ELT) — atualmente em construção no Chile — será possível imagear diretamente planetas ainda menores, que hoje passam despercebidos. Portanto, a próxima geração de telescópios promete revelar dezenas de sistemas planetários jovens como WISPIT 2.

Observações futuras: o que esperar?

A equipe já planeja observações de acompanhamento para confirmar a existência do possível terceiro planeta no disco de WISPIT 2. Enquanto isso, os dados já coletados continuarão sendo analisados para mapear a composição dos planetas detectados. Por fim, uma das grandes perguntas que os cientistas querem responder é: esses planetas gigantes permanecerão onde estão, ou migrarão em direção à estrela ao longo do tempo?

Essa migração planetária é justamente o que se acredita ter ocorrido em nosso Sistema Solar — e entender esse processo pode explicar por que a Terra surgiu onde surgiu, com as condições certas para a vida.

Uma janela aberta para nossa própria origem

Existe algo profundamente emocionante em observar planetas em formação. Não é apenas ciência — é arqueologia cósmica. Quando olhamos para WISPIT 2, estamos vendo o passado do nosso próprio sistema, congelado no espaço e no tempo. De acordo com a pesquisadora Chloe Lawlor, WISPIT 2 é o melhor olhar para o nosso próprio passado que temos até hoje.

Contudo, essa descoberta também levanta uma pergunta que arrepia: se o nosso Sistema Solar passou por um processo semelhante há 4,6 bilhões de anos, quantos outros sistemas como o nosso estão se formando agora, por toda a galáxia? E em quantos deles poderiam surgir planetas rochosos, oceanos e, quem sabe, vida?

Assim, cada nova observação de um disco protoplanetário não é apenas uma conquista técnica — é um lembrete de que somos parte de um processo muito maior, que se repete por toda a Via Láctea.


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Perguntas frequentes sobre planetas em formação

O que são planetas em formação?

São corpos celestes ainda em processo de acumular massa dentro de um disco de gás e poeira ao redor de uma estrela jovem. Eles surgem quando partículas se atraem gravitacionalmente e se aglutinam ao longo de milhões de anos.

O que é WISPIT 2?

É uma estrela jovem ao redor da qual foram observados dois planetas em formação, tornando-se apenas o segundo sistema conhecido com esse tipo de observação direta. O sistema está localizado na Via Láctea e possui um disco protoplanetário extenso e bem estruturado.

Qual a diferença entre WISPIT 2b e WISPIT 2c?

WISPIT 2b foi detectado primeiro, tem massa quase cinco vezes a de Júpiter e orbita mais longe da estrela. Já WISPIT 2c é duas vezes mais massivo e orbita quatro vezes mais próximo do que o irmão.

Como os astrônomos fotografaram planetas em formação?

Utilizaram o instrumento SPHERE do Very Large Telescope para a imagem direta e o GRAVITY+ do interferômetro VLTI para confirmar a natureza planetária do objeto. Ambos os instrumentos pertencem ao ESO, no Chile.

Por que WISPIT 2 é comparado ao Sistema Solar jovem?

Porque sua estrutura — com gigantes gasosos nas regiões externas do disco e múltiplas lacunas que podem indicar outros planetas — se assemelha ao que se acredita ter sido o nosso Sistema Solar há cerca de 4,6 bilhões de anos.

Existe um terceiro planeta em WISPIT 2?

Os cientistas suspeitam que sim. Uma terceira lacuna no disco externo sugere a presença de um planeta com massa parecida com a de Saturno. Porém, observações adicionais são necessárias para confirmar.

O ELT vai ajudar a estudar sistemas como WISPIT 2?

Sim. O Extremely Large Telescope, em construção no Chile, será capaz de imagear planetas ainda menores em discos protoplanetários, revolucionando nossa compreensão sobre a formação de sistemas planetários.

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Fonte: Artigo “A Solar System in the making? Two planets spotted forming in disc around young star” publicado em eso.org

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